quinta-feira, 23 de abril de 2009
Que Escola?...
Sem que nos tenhamos apercebido bem como isto aconteceu, temos vindo a cair num novo paradigma educacional. A família e a sociedade têm vindo a transferir para a escola a formação ética, moral e cívica, que antes era dada pela família e pela igreja. Assim a Escola como instituição tem vindo a confrontar-se com novos desafios.
O Professor tem que abandonar a sua tradicional postura de “especialista” e abraçar cada vez mais a atitude generalista numa dimensão socializante.
A Escola ganhou uma dimensão social que nunca teve antes. Tem pois que deixar o seu papel de “repetidora de saberes” (tudo igual de pais para filhos) e assumir-se no seu papel de co-criadora de um Mundo em permanente construção.
Como ser social, todo o ser humano tem necessidade de pertencer a um grupo e nele se sentir integrado e incluído, para isso é preciso que o grupo tenha regras claras e justas. A própria Escola deverá criar um ambiente propício a que o aluno se sinta parte desse grupo, de modo a que não caia na solidão e no isolamento, tão frequente em nossos dias, e muitas vezes motivador de atitudes desviantes mais ou menos graves.
Uma outra vertente será abrir a escola para o mundo, de modo a que esta se associe com organizações não-governamentais, empresas, iniciativas ecológicas e actividades que envolvam os alunos em projectos cívicos dentro e fora da escola.
Nesta Escola, o Professor vê-se confrontado com uma carga excessiva, sem contudo ver esta sobrecarga acompanhada de aumento de prestigio, de respeito ou até de recursos. No entanto o seu papel não deixa de ser mais motivador, porque o obriga a ser cada vez mais activo e criativo. A sua posição terá que ser cada vez mais interventiva, nunca pode fingir ignorar ou ficar indiferente face a um problema, mesmo correndo o risco de errar, pois como afirma o Psicólogo Bologna referindo-se à atitude do professor: “claro que há o risco de falar ou fazer alguma coisa errada, mas o erro maior é ficar quieto”.[1] Pior que fazer mal é ignorar o problema ou ignorar o próprio jovem em causa.
O Professor precisa desempenhar o seu papel, não temendo discutir e dialogar sobre objectivos e limitações, para mostrar ao aluno o que a escola (e a sociedade) esperam dele. Deverá ressaltar as qualidades do jovem mostrando-lhe que ele pode ter uma liderança positiva, mas não poderá perder de vista a noção do limite - e isso só acontece quando o aluno se apercebe que todos sem excepção têm direitos e deveres a cumprir... Pois, como afirma Bernardo Toro (Filósofo Colombiano): “Precisamos de Cidadãos do Mundo! ... E formar alunos com consciência democrática e internacional é a única maneira de garantir a construção de um Mundo de Justiça e Paz.”
[1] BOLOGNA, José , (Psicólogo), autor do livro “ Estação de Desembarque - Referências Existenciais para o Jovem Contemporâneo.
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